Quero um mundo em que a expressão individual não precise ser expressão de poder. Mesmo assim, apesar de ter nascido em um país capitalista e nunca ter apoiado conscientemente o socialismo, vejo-me frustrado pela negativa – como já dizia Renato Russo, “acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto”.
O ponto e: se busco uma sociedade em que a expressão individual seja algo diferente de expressão de poder, preciso buscar este algo. Procurar algo que substitua o poder – e estudar como ele se expressa nas mínimas atitudes do dia-a-dia. Seja na opção por uma determinada roupa, seja na forma como penteio meu cabelo, nas palavras que escolho para conversar com as outras pessoas – as pessoas com quem decido me relacionar ou não, inclusive, seja na esfera das amizades, dos relacionamentos amorosos e até profissionais.
Há alguns anos tenho pensado na relação de poder que se estabelece entre egos. Nasci em uma família italiana, muito propensa a falar antes de pensar. Isso fez de mim uma criança com uma necessidade incrível de falar e ser ouvido. Que passou depois de alguns anos de amadurecimento e terapia, mas mesmo assim me levou a entrar em um curso de Comunicação.
Pois um dos objetivos deste blog será este: comunicar. Não só meus pensamentos sobre o tema, que pretendo publicar na forma de um romance sobre o qual tenho matutado há cerca de um ano, mas dilemas do quando em vez que fazem pensar em mais do que o dia-a-dia. Revelam o espírito do nosso tempo e antevêem o que está por vir. Sem nenhuma pretensão grandiosa. Com português simples, às vezes irônico, às vezes triste, às vezes intelectual e muitas vezes sem sentido.
Nestas vezes (e também nas outras), comente, entre e fique à vontade.
Seja bem-vindo ao “Um passo atrás”. Porque às vezes a gente precisa.
domingo, 28 de setembro de 2008
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